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Expansão maxilar: entenda os benefícios da expansão maxilar no tratamento da Classe I, Classe II e Classe III

Por Juliana P. Andriani

A atresia maxilar transversal é comum na dentição mista, podendo se manifestar clinicamente através da inclinação vestibular dos dentes superiores posteriores, corredor bucal amplo e escuro, mordida cruzada posterior e apinhamento dentário, além de muitas vezes estar associada às discrepâncias ósseas sagitais de Classe II e Classe III. Isso quer nos dizer que a expansão maxilar pode ser o procedimento clínico indicado no tratamento de todos os tipos de maloclusão, sendo muitas vezes o único tratamento necessário no período de crescimento.

Portanto, vamos entender como a atresia da maxila se manifesta nos diferentes padrões:

Antes de conversarmos sobre a atresia de maxila nos diferentes padrões de face, vamos entender que a relação de Classe I, Classe II e Classe III é uma relação dentária definida por Angle a partir da intercuspidação entre os primeiros molares permanentes e seu alinhamento.

A partir daí temos a Classificação de Angle baseado na relação molar, onde:

Oclusão normal – é definida pela Relação molar normal (Classe I) e dentes na linha de oclusão;

Má oclusão de Classe I – Relação molar normal (Classe I) e demais dentes mal posicionados (apinhados, girovertidos…);

Má oclusão de Classe II – Molar inferior DISTAL (para trás) em relação ao superior;Má oclusão de Classe III – Molar inferior MESIAL (para anterior) em relação ao superior.

Leia um pouco mais sobre a Classificação das maloclusões no texto redigido pelo prof. Tanaka O. et al da PUC-PR

Esta classificação foi sendo aprimorada para definir melhor os tipos de maloclusão, além de ser utilizada também como referência para relação entre as bases ósseas, ou seja, para a relação maxilomandibular.

Assim, a relação esquelética de Classe II nos diz que a mandíbula está posicionada distalmente em relação à maxila, enquanto que a relação esquelética de Classe III nos diz que a mandíbula está posicionada mesialmente em relação à maxila, sendo que a relação de Classe I se refere a uma relação maxilomandibular satisfatória no sentido ântero-posterior.

É importante deixar claro a diferença entre a relação esquelética e a relação dentária pois nem sempre essas são coincidentes.

Bom, agora que já está claro a definição da maloclusão, vamos voltar a conversar sobre a atresia de maxila nos pacientes Classe I, Classe II ou Classe III esquelética.

Expansão maxilar em pacientes Classe I

Nos pacientes com relação esquelética de Classe I, grande parte das maloclusões consistem em apinhamentos ou mordidas cruzadas, sendo que a expansão maxilar acaba sendo a alternativa de tratamento mais adequada na maioria dos casos.

Cerca de 60% da quantidade de abertura do parafuso expansor se transfere em aumento na distância intermolares na região dentoalveolar, além de aumento do perímetro do arco, ou seja, temos mais espaço disponível no arco após a expansão maxilar rápida. 

Portanto, em pacientes com relação de Classe I entre as bases ósseas, a expansão maxilar é indicada em casos de apinhamento anterior superior, corredor bucal amplo ou mesmo em pacientes com atresia maxilar transversal, com ou sem mordida cruzada posterior.

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Observe na imagem acima o espaço obtido na região anterior após a expansão maxilar realizada.

Expansão maxilar em pacientes Classe II

A expansão da maxila em pacientes Classe II, além de corrigir a relação transversa, possibilita a melhora, ou até mesmo a correção da Classe II através da acomodação mandibular mais anterior no período de estabilização.

O procedimento de expansão maxilar elimina as interferências oclusais permitindo que a mandíbula se desloque para anterior. 

A correção espontânea da Classe II pode ocorrer em até 12 meses após o procedimento de expansão, sendo que clinicamente essa melhora pode não ser observada em todos os pacientes.

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Observe no caso clínico acima a melhora na relação ântero-posterior da mandíbula somente após a expansão maxilar, mostrando que muitas vezes temos melhora no posicionamento da mandíbula após a correção da atresia maxilar transversal.

Expansão maxilar em pacientes Classe III

Os pacientes com relação esquelética de Classe III são aqueles em que a mandíbula se encontra para anterior em relação à maxila, ou seja, a maxila é pequena no sentido ântero-posterior em relação à mandíbula.

O tratamento clássico para este tipo de maloclusão esquelética é a protração da maxila através da máscara facial de Petit.

Hoje é consenso na literatura de que a protração não precisa ser necessariamente precedida pela expansão maxilar, porém o que observamos no dia a dia da clínica, é que a guarde maioria dos pacientes com maloclusão esquelética de Classe III possuem também atresia de maxila.

Isto porque, de maneira geral, quando nos deparamos com uma maxila “pequena” no sentido ântero posterior, é comum que esta também seja estreita, ou seja, a maxila é “pequena” como um todo em relação à mandíbula.

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Na imagem acima é possível observa a relação oclusal de um paciente Classe III esquelética onde a maxila também se encontra atrésica em relação à mandíbula.

Bom, se você chegou até aqui na leitura foi possível observar que a expansão maxilar está inserida no tratamento interceptivo da grande maioria dos pacientes e por isso é fundamental que o cirurgião dentista saiba diagnosticar com clareza a atresia maxilar transversal. 

Tenho certeza que dominar o procedimento de expansão maxilar é um passo essencial para tratar diversos tipos de maloclusão na dentição decídua e mista.

Bons estudos!

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