Existe um material obturador com melhor desempenho em dentes decíduos? - Academia da Odontologia
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Odontopediatria

Esta é uma pergunta que eu recebo frequentemente dos meus alunos: “Existe um melhor material obturador para dentes decíduos?” 

Diante de uma gama de materiais obturadores disponíveis no mercado, como eu devo escolher qual material obturador utilizar?

A verdade é que a escolha dos materiais odontológicos que utilizamos no dia a dia acaba sendo, na maioria das vezes, influenciada pelos protocolos que aprendemos durante a graduação ou a pós-graduação. Todavia, diante da Odontologia Baseada em Evidências, nós precisamos pautar as nossas escolhas nas melhores evidências científicas disponíveis na literatura científica. 

E o que dizem as melhores evidências disponíveis sobre materiais obturadores em dentes decíduos?

Em 2020, a Academia Americana de Odontopediatria atualizou o seu guideline sobre Terapias Pulpares em Dentes Decíduos Não-Vitais (Coll et al., 2020a). Neste documento, experts discutem sobre diversos aspectos relacionados ao tratamento endodôntico de dentes decíduos não-vitais, incluindo a escolha do material obturador. Baseado em resultados de uma revisão sistemática (Coll et al., 2020b), os autores reportam que as pastas obturadoras que combinam óxido de zinco, iodofórmio e hidróxido de cálcio, como a Endoflas®, e o óxido de zinco e eugenol apresentaram taxas de sucesso similares quando comparadas às pastas que combinam hidróxido de cálcio e iodofórmio, como a Vitapex® e a

 Metapex®, após 18 meses de acompanhamento. Ainda, o Endoflas® e o óxido de zinco e eugenol apresentaram desempenho superior quando comparados ao iodofórmio “isolado” (utilizado sem hidróxido de cálcio) e ao hidróxido de cálcio. 

No mercado odontológico brasileiro, no entanto, a maioria das pastas obturadoras citadas acima, como Endoflas®, Vitapex® e Metapex®, não são comercializadas. E as pastas iodoformadas brasileiras, similares à Vitapex® e Metapex®, precisam ser testadas em estudos clínicos aleatorizados para que as suas eficácias sejam comprovadas. 

Diante deste cenário, o “bom e velho” óxido e zinco e eugenol apresenta taxas de sucesso adequadas reportadas na literatura e é um material de fácil acesso ao dentista brasileiro. Ademais, a Pasta Guedes-Pinto, desenvolvida pelo Professor Antônio Carlos Guedes Pinto, também é muito utilizada no Brasil e apresenta avidências de boa qualidade em relação à sua eficácia (Bresolin et al., 2021).

Por Pablo S. dos Santos

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Carla Pereira

Graduada em Odontologia pela UFSC em 2009
Especialista em Odontopediatria - PUC/PR, 2011
Habilitação em Sedação Consciente com Óxido Nitroso, 2011
Mestre em Odontologia / Área de Concentração Odontopediatria - UFSC/SC, 2015
Clínica Privada em Curitiba/PR desde 2009.
Presidente da ABOPED, Regional Santa Catarina 2017/2019.
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria desde 2015
IAPD Membro do board 2019/21, 2021/23, 2023/25 - Membership Committee
Idealizadora da CAIXA GUIA - Odontopediatria, 2015
Clinical Adviser NuSmile no Brasil, desde 2019
Co-Fundadora e Diretora Acadêmica da Academia da Odontologia, 2020
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria - Caxias do Sul/RS desde 2022
Idealizadora do Estabilize, 2023
Fundadora, Membro e Secretária Financeira da SOBRASO

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