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A importância da respiração nasal na criança para o cirurgião dentista

Maira
Por Maíra M. Rosa

Apesar da atuação do cirurgião dentista ser predominantemente relacionada à cavidade bucal, é fundamental que o profissional entenda a importância da respiração nasal para o crescimento e desenvolvimento do paciente infantil, assim como os impactos da respiração predominantemente oral na cavidade bucal.

A importância da respiração nasal

Você sabe qual a real diferença entre respiração nasal e oral? Para responder essa pergunta, vou te fazer uma outra. Bem simples. Pode até parecer boba… Mas me diga: qual é a função do nariz? Isso mesmo, por que ao longo de todo o nosso processo evolutivo, o nariz jamais “involuiu”? Por que ele sempre se manteve bem definido como uma estrutura central na face? A resposta para essa pergunta está longe de ser simples, mas pode ser resumida em uma palavra vital: oxigênio.

O nariz existe única e exclusivamente para receber o ar que inspiramos. Mais do que apenas “receber” esse ar, o nariz o filtra, aquece e umedece, maximizando as trocas gasosas que ocorrem no pulmão e, consequentemente, aumentando a disponibilidade de oxigênio no nosso sangue.

O ar, quando tem como via de entrada no organismo a cavidade oral, não passa por esses processos e o oxigênio não consegue ser aproveitado da melhor maneira pelos alvéolos pulmonares.

O que impede/dificulta a respiração nasal na criança

E agora vem mais uma perguntinha: por que uma criança que tem um narizinho sem nenhuma má formação evidente “opta” por começar a respirar pela boca?

Nenhuma criança faz essa escolha! A respiração nasal é fisiológica! Como já conversamos, é para isso que o nariz existe! Uma criança que tem a respiração predominantemente oral é forçada a respirar assim pela existência de alguma – ou de algumas – barreiras mecânicas que impedem a plena passagem do fluxo de ar! Aí, logicamente, entre o pouco ar que passa por esse nariz e o ar que entra de maneira mais livre na boca, já que a boca acaba se tornando mais viável, apesar de jamais cumprir essa função tão bem quanto o nariz.

Entre as barreiras mecânicas que levam as crianças a trocarem a respiração oral pela nasal podemos citar:

  •  rinites frequentes,
  • hipertrofia dos cornetos nasais,
  • desvios de septos nasais,
  • hipertrofia das tonsilas faríngeas (adenoides),
  • hipertrofia das tonsilas palatinas (amigdalas).

Impactos da respiração oral

Ainda não se convenceu de que o nariz faz por merecer seu espaço no centro da face “apenas” por prover ar filtrado, úmido e quente para os pulmões e, consequentemente, oxigênio para nossas células? Então vamos lá! Além de a respiração nasal prover melhor aproveitamento do oxigênio inspirado, uma criança que respira predominantemente pela boca pode apresentar, além dos prejuízos sistêmicos causados pelo pobre aproveitamento do oxigênio, prejuízos oclusais e faciais. A falta de equilíbrio entre o conjunto língua-músculos faciais-dentes pode provocar o surgimento de atresia maxilar, mordida cruzada posterior e mordida aberta anterior.

Além disso, a respiração oral é um fator agravante para os pacientes com padrão face longa, onde o terço inferior da face é aumentado em relação ao terço médio, já que hágiro horário da mandíbula necessário para manter a boca aberta para a passagem do ar. O padrão face longa não é determinado pela respiração oral, pois esse é um padrão morfogenético que pode ser agravado pela respiração oral e não determinada pela mesma.

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) como consequência da respiração oral

Vamos somar a essas consequências da respiração oral a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS)?

Infelizmente sim.

A SAOS é definida na classificação internacional dos distúrbios do sono como um “distúrbio intrínseco do sono caracterizado por episódios repetidos de obstrução das vias aéreas superiores associados à dessaturação da hemoglobina”. Ou seja, o paciente com SAOS tem, durante o sono, a quantidade de oxigênio disponível no sangue diminuída (muitas vezes a níveis críticos) repetidas vezes! Essa redução do oxigênio circulante pode apresentar inúmeras consequências. Quando acomete crianças, a SAOS pode ser a causa de prejuízo do crescimento pôndero-estatural e de aprendizado, alterações comportamentais e de muitas outras funções cognitivas.

A respiração oral, por si só, já é um fator de risco para a SAOS.

A face longa, por si só, já é um fator de risco para a SAOS.

A associação desses dois fatores com certeza não oferece às nossas crianças um prognóstico favorável quanto a um sono de qualidade .

Paciente face longa, respirador oral e mordida aberta anterior.

Clique aqui e confira o texto no blog sobre o papel do sono no desenvolvimento infantil.

Referência: Aracy P. S. BalbaniI; Silke A. T. WeberII; Jair C. Montovani. Atualização em síndrome da apnéia obstrutiva do sono na infância. Rev. Bras. Otorrinolaringol. vol.71 no.1 São Paulo Jan./Feb. 2005

Por Maíra Mary Rosa

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