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Diagnóstico da condição pulpar e a pulpectomia em dentes decíduos

Como um diagnóstico preciso pode contribuir para o sucesso da Endodontia em Dentes Decíduos

Por Rafaela Hochuli

Diante de lesões periapicais ou mesmo traumas em dentes decíduos, muitas vezes os tratamentos endodônticos se fazem necessários. De maneira geral, a conhecida “terapia pulpar”e conduta terapêutica pode envolver desde um tratamento indireto, como o capeamento pulpar indireto, ou mesmo uma pulpectomia no dente decíduo. Por isso, o diagnóstico da condição pulpar será fundamental para o sucesso do tratamento endodôntico em dentes decíduos, assim como para determinar a conduta terapêutica adequada.

Contudo, alguns colegas odontopediatras ainda se sentem inseguros ao realizar uma pulpectomia, ou ainda, sentem receio em executá-la. A insegurança ou receio na execução do procedimento normalmente se deve ao fato ao índice de insucesso obtido neste tipo de procedimento.

pulpectomia em dentes decíduos

De maneira geral, como tem sido o índice de sucesso em tratamento endodôntico em seu consultório? Você também compartilha deste sentimento ou já é seguro em relação ao protocolo de pulpectomia? Seus pacientes retornam para o acompanhamento com sintomatologia e progressão da lesão? Se você tem esses questionamentos e quer aprimorar seus tratamentos ou se sente inseguro em realizar a endodontia, não deixe de conferir essas dicas!

Como o diagnóstico pulpar pode direcionar a conduta clínica?

Identificar o estado pulpar é fundamental para definir sua conduta clínica. Apesar de, na grande maioria das vezes, associarmos o tratamento endodôntico em si ao uso de limas endodônticas e hipoclorito, a terapia pulpar é bastante ampla e vai muito além. Algumas vezes, a execução de uma restauração adequada com um capeamento pulpar indireto já é um tratamento pulpar de sucesso, pois assim podemos preservar a integridade dos tecidos ainda vitais.

Assim que acontece uma agressão ao dente, seja ela por doença cárie ou um trauma, o tecido pulpar desenvolve uma resposta inflamatória. Dependendo do tipo da agressão e o tempo que ela ocorre, essa hiperemia pulpar pode ocasionar uma dor espontânea ou provocada.

Em adultos, aplicando uma boa anamnese com perguntas direcionadas, associado ao teste de vitalidade e exame radiográfico, conseguimos boa previsibilidade no diagnóstico. No entanto, as crianças não possuem essa maturidade de discernir o que é dor, quais momentos ela acontece e a sua intensidade. Portanto, é preciso buscar essas informações com os responsáveis, o que pode ser minimizado ou exagerado por eles.

A dor provocada pode acontecer em lesões de cárie cavitadas em dentina, quando os túbulos dentinários ficam expostos. Da mesma forma ocorre em um trauma, onde há fratura dentária sem exposição pulpar. Nesses casos, exposto a um estímulo frio ou ácido, o paciente pode relatar dor, sugerindo que o dente ainda pode ser salvo com um capeamento pulpar indireto. Já a dor espontânea acontece sem a necessidade de qualquer estímulo. Um “sinal de alerta” deve acender quando os pais relatam que a criança acordou a noite com dor. Esse é um importante relato de dor espontânea.  Neste caso, grandes chances de você está se deparando com um tratamento de pulpectomia.

Qual a terapia pulpar mais adequada?

Primeiramente, devemos pensar qual é a condição pulpar no momento do diagnóstico. Para isso, é importante aquelas perguntas sobre quando a criança reclama de dor para tentar associar o fator causal.

Quando há relato de dor provocada trata-se de um caso de “pulpite reversível”. Isso quer dizer que com um tratamento adequado essa polpa é capaz de voltar ao seu estado saudável.

Tratamento indireto da polpa: restaurações adequadas, visando remover todo tecido não passível de remineralização e fornecendo um bom selamento dessa cavidade.

Pulpotomia: remoção da porção coronária da polpa, mantendo a porção radicular quando ela é passível de se manter viável e sem infecção.

Já nas dores espontâneas, podemos pensar em duas opções: pulpite irreversível ou necrose pulpar. Em ambos os casos o tratamento mais adequado é a pulpectomia. Sendo assim, a polpa é removida por completa, pois está em um estágio onde não é possível reverter o quadro inflamatório ou então o tecido está totalmente infectado.

Para realizar uma pulpectomia adequada, vários passos devem ser realizados e alguns deles são essenciais para uma limpeza adequada e selamento de todo canal radicular. Essas etapas estão bem descritas no post Tratamento endodôntico em dentes decíduos: aprimorando a técnica de pulpectomia para obter melhores resultados”

Se você está buscando se aprofundar sobre a técnica de pulpectomia, assista também ao curso online sobre endodontia em dentes decíduos aqui na Academia da Odontologia com a professora Mariane Cardoso.

Definitivamente a endodontia é bastante complexa. Simultaneamente a Odontopediatria requer protocolos de atendimento bem estabelecidos, com todos os materiais necessários disponíveis e técnicas de manejo eficientes. Se você tem tido alguns fracassos, tente rever todo o protocolo, a fim de identificar onde pode estar falhando e aprimorar suas técnicas buscando conhecimento.

Algumas dúvidas acabam surgindo em nossa prática clínica e nem sempre conseguimos encontrar a melhor solução sozinhos. Para auxiliar nessas questões, a professora Ângela Giacomin, traz o seu conhecimento de especialista em Endodontia para a Odontopediatria no seu curso Private Class com Carla Pereira e tira todas as suas dúvidas sobre diagnóstico e protocolos das diferentes técnicas que conhecemos.

Aproveito e deixo aqui sugestões de leitura caso te interesse ler mais sobre o tema:

Moura et al. Cellular profile of primary molars with pulp necrosis after treatment with antibiotic paste. 2018

Lokade eta al. Comparative evaluation of clinical and radiographic success of three different lesion sterilization and tissue repair techniques as treatment options in primary molars requiring pulpectomy: An in vivo study. 2019

Por Rafaela Hochuli

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