Podemos utilizar a Pasta CTZ em todos os casos de tratamento endodôntico de dentes decíduos não-vitais? - Academia da Odontologia
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Odontopediatria

A utilização da Pasta CTZ tem um apelo muito grande na Odontopediatria, principalmente, pela facilidade de sua aplicação, que implicará diretamente na redução do tempo clínico para o tratamento endodôntico de dentes decíduos não-vitais.

No blog de hoje, vamos relembrar alguns pontos importantes sobre a utilização da Pasta CTZ em dentes decíduos.

O que é a Pasta CTZ?

A Pasta CTZ foi descrita por um cirurgião-dentista argentino, chamado Jose Cappiello, na década de 1960 (Cappiello, 1964). Logo, não é um material “novo”, mas vem ganhando atenção e discussões, novamente, nos últimos anos. 

É uma pasta composta por Cloranfenicol (C), Tetraciclina (T) e Óxido de Zinco (Z) em uma proporção de 1:1:2, respectivamente. O eugenol é utilizado como veículo, a fim de se obter a consistência de uma pasta.

Embora seja muitas vezes descrita como uma ‘técnica’, é, na verdade, uma das opções de pastas à base de antibióticos a serem utilizadas no “Tratamento Endodôntico Não-Instrumental”, uma técnica que, como o nome já indica, preconiza a não instrumentação dos canais radiculares de dentes decíduos não-vitais e utilização de uma pasta à base de antibióticos inserida apenas na entrada dos canais radiculares e no assoalho da câmara pulpar. 

Posso utilizar a Pasta CTZ em todos os casos de tratamento endodôntico de dentes decíduos não-vitais?

O tratamento endodôntico não-instrumental é uma técnica descrita, inicialmente, na década de 1990 por pesquisadores japoneses (Sato et al., 1993; Hoshino et al., 1996). Embora não seja uma técnica recente, foi incluída como uma opção terapêutica para dentes decíduos não-vitais no guideline da Academia Americana de Odontopediatria apenas em 2020 (Coll et al., 2020). Até então, a técnica não era mencionada. 

Segundo a Academia Americana de Odontopediatria, a técnica endodôntica não-instrumental deve ser utilizada em casos de dentes com reabsorção radicular (externa maior que 1 mm) ou quando se deseja manter um dente que seria indicado para extração, por um período de 12 meses. Essa indicação de 12 meses foi determinada pois os estudos primários que avaliam a técnica possuem, em sua maioria, 12 meses de acompanhamento. Desta forma, não se pode realizar recomendações superiores a esse período. Ademais, em dentes que não possuíam reabsorção radicular prévia ao tratamento, observou-se que o tratamento convencional, com instrumentação dos canais radiculares, apresentou taxas de sucesso superiores. 

Todavia, todas essas recomendações são baseadas em resultados de estudos que utilizaram outras pastas antibióticas, como a 3mix e pastas alternativas conhecidas como 3mix modificadas. De maneira geral, nos Estados Unidos e na Europa, pouco se fala em pasta CTZ.

Então existem evidências científicas que suportem a utilização da Pasta CTZ?

As evidências científicas robustas, derivadas de estudos clínicos aleatorizados, estão crescendo. Diversos grupos de pesquisa brasileiros estão desenvolvendo estudos sobre a utilização da pasta CTZ. 

Recentemente, foi publicado um estudo conduzido na Universidade Federal do Piauí (Castro et al., 2023), que comparou a utilização da pasta CTZ com o tratamento endodôntico convencional, utilizando o óxido de zinco e eugenol (OZE) como material obturador em molares decíduos não-vitais. Após 3 anos de acompanhamento, os autores encontraram taxas de sucesso, baseadas em parâmetros clínicos e radiográficos, semelhantes entre os grupos. As taxas de sucesso observadas foram de 40,9% para o grupo CTZ e 43,2% para o grupo OZE.

Respondendo à pergunta do título desse blog, eu diria que, apesar dos resultados promissores da pasta CTZ a longo prazo, ainda não podemos indicar para todos os casos. Talvez dois “pontos de corte” importantes para a escolha da técnica convencional ou não-instrumental seja a presença de reabsorção radicular prévia, uma vez que a literatura nos indica que a técnica não-instrumental apresenta melhores resultados, e o manejo do comportamento do paciente. Em pacientes nos quais o manejo do comportamento é difícil e não existe a possibilidade de realizar algum tipo sedação, por exemplo, uma técnica endodôntica simplificada pode ser uma alternativa interessante visando a manutenção do dente decíduo.

Por Pablo S. dos Santos

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Carla Pereira

Graduada em Odontologia pela UFSC em 2009
Especialista em Odontopediatria - PUC/PR, 2011
Habilitação em Sedação Consciente com Óxido Nitroso, 2011
Mestre em Odontologia / Área de Concentração Odontopediatria - UFSC/SC, 2015
Clínica Privada em Curitiba/PR desde 2009.
Presidente da ABOPED, Regional Santa Catarina 2017/2019.
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria desde 2015
IAPD Membro do board 2019/21, 2021/23, 2023/25 - Membership Committee
Idealizadora da CAIXA GUIA - Odontopediatria, 2015
Clinical Adviser NuSmile no Brasil, desde 2019
Co-Fundadora e Diretora Acadêmica da Academia da Odontologia, 2020
Professora e Coordenadora do Curso de Especialização e Atualização em Odontopediatria - Caxias do Sul/RS desde 2022
Idealizadora do Estabilize, 2023
Fundadora, Membro e Secretária Financeira da SOBRASO

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